Processo de inclusão de aluna surda da EJA da EMEB Virgílio Marinho é realizado por meio de Ação Pedagógica de sucesso

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De acordo com o Decreto 5.626, de 22 de dezembro de 2005, todo o aluno com deficiência auditiva tem direito a uma educação bilíngue nas classes regulares, deste modo, essa demanda de deficientes necessita aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua e a Língua Portuguesa em sua modalidade escrita como segunda língua. Bem como o mesmo dispositivo em seu artigo 3º explana que: “A Libras deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de ensino, públicas e privadas, do sistema federal de ensino e dos sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.”

Diante desse direito, explicou a professora Kelly Priscila de Souza, técnica referência do Núcleo de Acompanhamento Pedagógico, Formação e Avaliação (NAFA) da Secretaria Municipal de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação de Itaquaquecetuba (Semecti), responsável pelo acompanhamento pedagógico da EJA no Sistema Municipal de Ensino, “a professora Sebastiana Miriam Gonçalves da Silva Teixeira, docente que atua junto as turmas de Termos 3 e 4 da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da EMEB Virgílio Marinho, deparou-se com o desafio de alfabetizar uma estudante adulta surda no início deste ano letivo. Apesar de a professora ter alguns conhecimentos sobre a língua de sinais, a equipe gestora da escola solicitou apoio da Semecti para orientações de conduta frente às necessidades educacionais especiais de atendimento pedagógico da estudante.”

Segundo Kelly, diante dessa situação a professora especialista de Libras, Eliete Carvalho, do (NAFA) deslocou-se até a referida Unidade Escolar e realizou sondagem da estudante surda Aline Pereira da Silva e verificou que a discente sabe comunicar-se por meio da língua de sinais, tendo assim garantido o seu direito a esse conhecimento como primeira língua, entretanto, encontra-se em processo de aquisição do sistema alfabético de escrita.

Conforme disse a professora Eliete “buscou-se realizar um diálogo próximo a professora Miriam na construção de uma prática pedagógica de alfabetização atrelada a Libras objetivando o acesso da estudante ao currículo escolar com ao desenvolvimento de ações que tomaram como ponto de partida: a) Libras, com a construção de fichas temáticas e material pedagógico de alfabetização; b) Ampliação da comunicação entre a estudante surda, a professora e a turma com o ensino e o aprendizado de Libras por todos; c) Realização da tradução em Libras das aulas, provas, atividades e palestras; e d) Adequação metodológica curricular,” pontuou a especialista em Libras.

A professora Miriam, ao sentir-se apoiada, protagonizou ações de autoria na construção de uma prática pedagógica que atendesse as demandas da estudante surda. Enquanto que os estudantes da turma, sensibilizados com as necessidades e tentativas de comunicação da estudante buscaram aprender Libras para melhor compreendê-la. Isso fez com que a Aline sentisse de fato acolhida em suas demandas comunicativas e de aprendizagem, disse a professora Eliete, afirmando que: “o diálogo acessível e de maneira descontraída gerou um clima propício à realização de orientações pontuais, modificando o comportamento da estudante que até aquele momento somente copiava e ficava isolada. Agora, quando a Aline falta, todos sentem a ausência dela, fazendo com que de fato ela tornasse parte da EJA.”

Segundo a estudante Aline, “o fato da professora Eliete estar na escola tem ajudado um pouco, pois são poucos dias de realização da ação e ela também apresenta muitas faltas devido problemas de saúde.” Já os demais estudantes da turma, ao aprender Libras, perceberam que por muito tempo a Aline buscou comunicar-se com eles, mas não era compreendida. Isso fez com que sentissem sensibilizados e aproximassem dela na escola e na rua ao encontrá-la em equipamentos de uso social. E a prof. Miriam ao recordar de todo o processo vivenciado pela ação pedagógica disse que “a Eliete foi um anjo que caiu do céu”.

O secretário de Educação, prof. Fabiano de Oliveira Novais, parabenizou os envolvidos na ação e disse que, “somente pela dedicação de profissionais competentes e do trabalho em equipe é possível realizar ações pedagógicas de sucesso como esta, executada pelas professoras Eliete e Miriam com o apoio da professora Kelly, nesse sentido, fica evidente o compromisso da gestão municipal na oferta de uma educação de qualidade, sempre priorizando o discente,” destacou Novais.

Projeto Colibri

 De acordo com a Professora de Libras Eliete Carvalho, a Semecti por meio do Programa Colibri vem atendendo a população da cidade e servidores municipais no curso de LIBRAS desde o ano de 2008. A ação tem como intuito “fornecer aquisição do vocabulário básico em LIBRAS, fazendo-os compreender as particularidades culturais e linguísticas e fortalecer as habilidades comunicativas que contribuem para a inclusão da pessoa surda na sociedade.” A professora explicou ainda que atualmente o curso de LIBRAS é dividido em três turmas e neste ano formaram-se 33 alunos com carga horária de 60 horas.

 Projeto Bilíngue

De acordo Eliete a Semecti mantem também o Projeto Bilingue nas EMEB Benedito Vieira da Mota e na EMEB Ali Ali Hammound cujo objetivo principal fortalecer a comunicação entre surdos e ouvintes, ampliando o vocabulário oral e em LIBRAS. Além disso, disse Eliete que “todos os docentes que possuem em suas turmas deficientes auditivos, recebem acompanhamento e orientações constantes dela, durante todo o período letivo”.

Elizeu de Miranda Corrêa

Assessoria de Projetos Educacionais e Eventos

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